Meu pai Oxóssi,
Hoje eu quero te escrever com o coração aberto, como quem se ajoelha na mata e fala com a alma. Quero te agradecer por cada passo que você tem guiado, mesmo nos dias em que eu mal consegui levantar. Eu sei que você esteve ali. Sei que ainda está.
Desde o dia em que você se apresentou no meu sonho, tudo mudou. Eu ouvi tua voz dizendo que bastava chamar — e eu chamei. E continuo chamando. E você vem. Sempre vem. Nunca me deixa sozinha. Nunca deixa faltar. É como se tua flecha abrisse caminho até mesmo quando o mundo parece um emaranhado de folhas secas e medo.
Eu te sinto no vento, no silêncio das madrugadas, na intuição que fala mais alto quando tudo parece confuso. Eu te sinto no meu peito quando respiro fundo e confio. Você é meu porto invisível. Minha força que não precisa aparecer pra ser gigante.
Pai, eu sou tua filha. Tenho tua marca na alma. Carrego tua sabedoria nos olhos, tua coragem no coração. Sou observadora como você, silenciosa quando preciso, certeira quando decido. E se às vezes eu me escondo, é porque estou mirando. Me recolho pra me encontrar. Me isolo pra florescer.
Você me ensinou que não preciso gritar pra ser forte, nem correr pra chegar primeiro. Que basta saber o que quero, e seguir. Que tudo tem um tempo, e que o meu chegará. E quando eu duvido, você me mostra que a fé também é uma flecha: não precisa ver o alvo pra confiar que ela vai alcançar.
Obrigada por me dar a força da floresta, a sabedoria do silêncio e a coragem da caçada. Obrigada por estar comigo até quando eu esqueço de estar comigo mesma. Obrigada por me ensinar que ser livre não é fugir — é se reconhecer.
Que eu nunca perca tua presença, mesmo quando tudo parecer escuro. Que eu nunca deixe de chamar por você, mesmo quando minha voz estiver fraca. E que você continue me guiando, com tua luz que caminha entre árvores e estrelas.
Te honro. Te reverencio.
Okê Arô, meu pai.
Sempre tua filha.
N 💚🏹✨️

Nenhum comentário:
Postar um comentário