sexta-feira, 11 de julho de 2025

A ausência não apaga

 



Eu já sabia que ia doer.

A gente já não se falava mais, você estava em outra, e mesmo assim… eu deixei pra comprar as coisas da viagem em cima da hora, só pra te ver mais uma vez antes de partir.

Era um plano bobo, eu sei. Mas eu precisava da sua presença, mesmo que fosse de longe. Mesmo que você nem notasse a minha.

Ia passar um mês fora, e só de imaginar ficar esse tempo todo sem te ver — sem ao menos te cruzar por acaso —, meu coração apertava de um jeito que me deixava sem ar.

Você já não era mais parte da minha vida diretamente…

Mas saber que você existia ali, perto, acessível, viva no meu cotidiano, me dava uma paz que eu não consigo explicar.

Era como se, por um instante, tudo se ajeitasse só por saber que você estava por aqui.

Viajei. E, pra ser sincera, quase não fui.

Mas fui.

E o que me sustentava durante aqueles dias era te ver — mesmo que só pelas redes sociais. Fotos, vídeos, qualquer sinal da sua existência.

Era o meu consolo.

Era assim que eu tentava lidar com a sua ausência: me agarrando às pequenas presenças virtuais que ainda restavam.

Até que, pouco antes do Natal, tudo sumiu.

Você desapareceu.

De tudo.

Como se tivesse apagado qualquer possibilidade de eu te alcançar — mesmo à distância.

Foram três dias que pareceram infinitos.

Passei o Natal com os olhos inchados, o peito afundado numa tristeza que ninguém soube nomear.

Doía.

Doía porque eu não entendia.

Doía porque eu não sabia o que tinha feito.

Doía porque o único pensamento que eu conseguia repetir era: “por quê?”

Mas eu me iludo fácil, né?

Então inventei que você só tinha excluído as redes. Que não tinha nada a ver comigo.

Me agarrei nessa ideia como quem se agarra a uma tábua no meio do mar revolto.

E assim segui. Fingindo que tava tudo bem. Fingindo que aquilo não foi um adeus silencioso.

Eu segui acreditando nisso por meses.

Até que a verdade apareceu.

Mas essa parte… fica pra outra carta.

O que eu sei é que, mesmo com toda essa ausência…

Mesmo sem sua presença, sua voz, seu rastro…

Você ainda morava em mim.

E a dor da sua distância nunca foi maior do que o amor que ficou.


Com carinho,

N ♡

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