segunda-feira, 23 de junho de 2025

Ontem eu vi você

 


Saí de casa tentando distrair a cabeça, como quem foge de um pensamento que insiste em voltar. Fui à quermesse — aquelas luzes, as barracas, o cheiro de comida — tudo parecia comum. E talvez fosse. Até o momento em que te vi.

Eu estava na fila, esperando alguma coisa pra comer, quando, sem querer, olhei pro lado… e lá estava você. Tão linda como sempre. Tão você.

Com aquele sorriso no rosto que sempre fez meu mundo parar por alguns segundos.

Naquele instante, meu coração se encheu de uma alegria estranha, inesperada, quase inocente. Minhas mãos começaram a tremer. Meu corpo inteiro reagiu como se tivesse levado um choque. E, mesmo assim, a sensação era boa. Era viva. Era como se, por um segundo, tudo dentro de mim dissesse: “Olha, é ela.”

Mas eu desviei o olhar.

Fingi que não vi. Fingi que não senti. Fingi até que estava tudo bem.

A verdade? Eu tive medo. Medo de você me olhar e fingir que não me conhece. Medo do silêncio, da indiferença, da ausência de qualquer reação.

Medo de perceber que talvez, pra você, eu já não signifique mais nada.

E isso doeu mais do que qualquer resposta poderia doer.

Não sei por que estou escrevendo isso. Talvez seja só pra tirar esse peso do peito. Talvez seja só pra admitir que, por mais que eu tente seguir em frente, tem partes de mim que ainda não sabem viver num mundo onde você não está.

Mas tudo bem. Não precisa responder.

Só queria te contar que, ontem, eu vi você. E senti tudo de novo.


Com carinho,

N

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