terça-feira, 29 de abril de 2025

O amor não obedece

 


É estranho...

Porque eu deveria estar com raiva.

Ou, pelo menos, distante. Fria.

Depois de tudo que aconteceu, da forma como tudo terminou — ou simplesmente parou —, o mais lógico seria não sentir mais nada.

Mas eu sinto.

Sinto muito.

Sinto fundo.

E o pior (ou talvez o mais bonito) é que, mesmo decepcionada, eu ainda a carrego em mim.

Sinto falta do sorriso dela.

Dos olhos que me atravessavam sem dizer uma palavra.

Do jeito de andar, de se mover pelo mundo como se não soubesse o impacto que causava.

Sinto falta do que ela era perto de mim, e talvez até do que eu era perto dela.

Mesmo tentando me reconstruir, mesmo me esforçando pra me amar mais, pra me colocar no centro da minha vida… meu coração ainda grita o nome dela, baixinho, todos os dias.

E eu fico tentando calar esse grito com razão, com lógica, com frases prontas de autoajuda.

Mas ele não cala.

Porque a dor até passa, sabe?

Passa — ou adormece — quando penso nos olhos dela, no cabelo solto, no jeito que a boca dela se curvava quando sorria.

A dor passa quando a minha mente, teimosa e apaixonada, fantasia um futuro onde tudo se acerta, onde a gente se reencontra, se olha de novo, sem medo.

Um futuro onde ela ainda volta.

E aí eu me culpo. Me questiono. Me sinto boba.

Porque sei que não devia sentir isso.

Mas eu também sei: o amor não obedece.

Então hoje eu não vou me cobrar pra esquecer.

Hoje eu só vou me permitir sentir.

Porque talvez, sentir tudo isso, mesmo depois de tudo, seja só mais uma prova de que o que eu vivi — ou sonhei viver — foi real pra mim.

E isso, por mais que doa, também é bonito.


Loucura né,

N ♡

sexta-feira, 25 de abril de 2025

Sigo me reconstruindo

 


Mas agora, com os olhos ainda inchados e o coração um pouco mais calmo, eu respiro.

E escrevo pra mim o que eu gostaria de ouvir de alguém — mas que preciso aprender a dizer sozinha: vai passar.

Não de uma hora pra outra, não amanhã, não com mágica.

Mas vai.

Porque eu sou forte.

Porque eu sou inteira — mesmo com pedaços faltando.

Porque eu me tenho, e isso precisa começar a bastar.

Eu posso sentir falta, posso lembrar com carinho, posso até desejar que tudo tivesse sido diferente. Mas hoje eu escolho não me perder por quem escolheu me afastar. Escolho me acolher, me cuidar, me colocar no centro da minha própria vida.

Eu mereço amor, sim. Mas não um amor que me exclui, que me silencia, que me bloqueia.

Eu mereço ser vista, ouvida, valorizada.

E, acima de tudo, eu mereço ser minha.

Então eu sigo. Com passos lentos, mas com firmeza.

Vou chorar mais algumas vezes — e tudo bem.

Mas em cada lágrima, eu também deixo ir aquilo que já não cabe.

E em cada recomeço, eu me aproximo mais da mulher que estou me tornando.

Essa dor não me define.

Ela me ensina.


Com mais amor do que ontem,

N ♡

quarta-feira, 23 de abril de 2025

Parabéns pra mim 🎂

 



Hoje é o meu dia.

E mesmo que eu não tenha todos os motivos do mundo pra sorrir, hoje eu escolho me celebrar. Escolho olhar pra mim com mais ternura, menos julgamento. Porque sobreviver a tudo que eu já vivi não foi pouco. Continuar sentindo, mesmo quando tudo dentro de mim pediu pra endurecer, é um ato de coragem.

Nem sempre as coisas saem como eu espero. Às vezes o que mais quero está distante, às vezes o que eu amo não fica. Mas apesar de tudo, eu continuo. Ainda sonho, ainda amo, ainda acredito. Ainda me levanto e escolho ser melhor — mesmo quando ninguém vê.

Eu tenho dores, falhas, medos que não conto pra ninguém. Mas também tenho força. Tenho um coração que sente além da conta, que ama com profundidade, que deseja construir, não só viver pela metade.

Hoje, no meu aniversário, eu não quero prometer que tudo vai mudar da noite pro dia. Mas quero me lembrar que tudo em mim está em construção. Que não preciso estar pronta pra merecer carinho, amor, respeito. Que só por ser quem sou, já sou digna de coisas boas.

E eu mereço.

Mereço um amor que fique. Mereço amigos verdadeiros. Mereço descanso, mereço colo.

Mereço ser feliz do meu jeito, no meu tempo.

Feliz aniversário pra mim.

Que eu continue me curando, me reconstruindo, me escolhendo.

Que eu continue sentindo — mesmo quando doer.

E que, acima de tudo, eu nunca esqueça: ser eu já é um presente.


Com amor,

De mim, pra mim. ♡

terça-feira, 22 de abril de 2025

Quem procura... acha.

Hoje, a ficha caiu.

E é aquilo que dizem, né? Quem procura… acha.

Eu procurei. Achei. E chorei.

Chorei porque não entendi.

Não entendi o porquê, não entendi o que te levou a tomar aquela atitude.

Doeu. E não foi pouco.

Chorei em silêncio, dentro do meu quarto, com o peito apertado, me perguntando o que eu fiz de errado. O que em mim te incomodou tanto ao ponto de me apagar. Ao ponto de me bloquear, de sumir, de fingir que eu nunca estive aí.

A única coisa que eu sempre quis foi fazer parte da sua vida. Só isso.

Nunca pedi demais. Só queria estar, somar, ser alguém que te fizesse bem.

E agora eu me vejo aqui, sozinha, me sentindo rejeitada por alguém que eu só quis amar.

É difícil entender. E é mais difícil ainda tentar seguir quando a dor aperta no dia seguinte, quando eu deveria estar celebrando minha vida e, em vez disso, estou tentando juntar os cacos que essa ausência deixou.

Mas eu escrevo isso pra mim.

Pra lembrar que o problema não está em sentir.

Que amar não foi um erro. Que me entregar não foi fraqueza.

Que ser sincera com o coração não me faz menos digna — me faz humana.

Hoje doeu.

Mas amanhã, com tempo e cuidado, eu sei que essa dor vai virar aprendizado.

E eu vou continuar. Por mim.


N ♡

terça-feira, 15 de abril de 2025

Por mim

 



Hoje eu só quis escrever.

Sem motivo específico, sem grandes acontecimentos. Só senti vontade de me ouvir mais de perto, de colocar pra fora tudo que tenho sentido em silêncio.

Tem dias em que tudo parece mais pesado. Não sei exatamente o que é — talvez saudade, talvez cansaço, talvez só o coração pedindo um pouco de atenção. Mas mesmo com esse nó no peito, eu olho pra mim e sinto orgulho.

Eu passei por tanta coisa.

Momentos em que me questionei, em que me senti invisível, quebrada, confusa. Momentos em que segui por impulso, ou onde simplesmente tive que sobreviver. E mesmo assim, estou aqui. Um passo de cada vez. Com falhas, sim. Mas também com coragem.

Hoje, mais do que buscar respostas, eu só quero me dar colo. Me dar tempo. Me lembrar de que eu não sou o que me feriu, nem o que me falta. Eu sou tudo aquilo que tenho reconstruído com cuidado — uma mulher que sente muito, que se entrega, que se levanta mesmo quando ainda dói.

Tenho aprendido a ser mais gentil comigo. A aceitar que tudo bem não estar bem o tempo todo. Que tudo bem não saber pra onde ir, desde que eu continue indo. Eu não preciso ter todas as respostas agora. Só preciso continuar sendo fiel a mim.

E mesmo com as dúvidas, sigo com esperança.

De que os dias bons vão voltar.

De que a calma vai chegar.

De que tudo aquilo que é verdadeiro vai ficar.

Hoje, eu me celebro em silêncio.

Pela força que ninguém viu, pelas lágrimas que enxuguei sozinha, pelos recomeços que tive coragem de viver.

Por mim.


N ♡

sábado, 5 de abril de 2025

No silêncio daquele olhar

 


Te vi. Por um instante, nossos olhos se cruzaram, e tudo dentro de mim parou.

Foi rápido, quase sem tempo de respirar. Mas foi suficiente pra me deixar sem chão. Eu tentei parecer indiferente, desviei o olhar, segui o meu caminho. Mas a verdade é que eu só queria parar ali… e ficar. Dizer algo. Qualquer coisa. Só pra não deixar tudo entre nós terminar no silêncio.

Você já vinha distante há algum tempo, e naquele momento eu senti, com toda a força, o peso da sua ausência. Mesmo tão perto, você parecia longe demais de mim. E eu, impotente, só pude observar você indo — sem saber se voltaria. Sem saber se havia algo ainda por dizer, por sentir, por viver.

Desde então, sigo com esse nó guardado.

Com palavras que ficaram presas.

Com um sentimento que não sabe onde se encaixar.

Não sei se você percebeu. Talvez não. Mas naquele dia, mesmo sem troca de palavras, algo em mim desabou. E é por isso que escrevo agora — não pra pedir nada, nem pra cobrar. Só pra deixar registrado que você passou, e ficou. Que mesmo sem saber, você me marcou naquele momento breve, quase invisível, mas tão intenso pra mim.

Você seguiu o seu caminho.

E eu, o meu.

Mas tem coisas que a gente leva — mesmo no silêncio.


N ♡