É estranho...
Porque eu deveria estar com raiva.
Ou, pelo menos, distante. Fria.
Depois de tudo que aconteceu, da forma como tudo terminou — ou simplesmente parou —, o mais lógico seria não sentir mais nada.
Mas eu sinto.
Sinto muito.
Sinto fundo.
E o pior (ou talvez o mais bonito) é que, mesmo decepcionada, eu ainda a carrego em mim.
Sinto falta do sorriso dela.
Dos olhos que me atravessavam sem dizer uma palavra.
Do jeito de andar, de se mover pelo mundo como se não soubesse o impacto que causava.
Sinto falta do que ela era perto de mim, e talvez até do que eu era perto dela.
Mesmo tentando me reconstruir, mesmo me esforçando pra me amar mais, pra me colocar no centro da minha vida… meu coração ainda grita o nome dela, baixinho, todos os dias.
E eu fico tentando calar esse grito com razão, com lógica, com frases prontas de autoajuda.
Mas ele não cala.
Porque a dor até passa, sabe?
Passa — ou adormece — quando penso nos olhos dela, no cabelo solto, no jeito que a boca dela se curvava quando sorria.
A dor passa quando a minha mente, teimosa e apaixonada, fantasia um futuro onde tudo se acerta, onde a gente se reencontra, se olha de novo, sem medo.
Um futuro onde ela ainda volta.
E aí eu me culpo. Me questiono. Me sinto boba.
Porque sei que não devia sentir isso.
Mas eu também sei: o amor não obedece.
Então hoje eu não vou me cobrar pra esquecer.
Hoje eu só vou me permitir sentir.
Porque talvez, sentir tudo isso, mesmo depois de tudo, seja só mais uma prova de que o que eu vivi — ou sonhei viver — foi real pra mim.
E isso, por mais que doa, também é bonito.
Loucura né,
N ♡




