Eu nunca esperei muito de mim, mas agora, pela primeira vez na vida eu estou abraçando com o força todas as oportunidades que a vida está me dando, estou abraçando o meu futuro e cultivando todos os frutos possíveis de uma vez só. É o tempo está passando e a vida está me obrigando a crescer todos os dias, e isso não é fácil. Mas, tudo bem, eu tenho aprendido muitas coisas com o tempo, e tudo aquilo que eu pensava de estar preparada para a vida, eu tenho visto que isso não é bem verdade, pois responsabilidade assusta, e como assusta!
Assusta crescer, assusta assumir o peso das escolhas tomadas, assusta ir embora, sair de casa e ver todo mundo tocando a vida, como em seus lugares. Mas, o que mais me assusta é quando sinto que a minha ausência ou a minha presença não altera tanto as coisas, não cria tanto vazio ou não preenche tanto espaço. Porque eu sou um ser humano como outro qualquer.
Eu cresci, arrumei minha cama, escovei os dentes, fiz minhas malas e fui embora, pela terceira vez. Me considero muito nova, muito menina para tanto histórico, para tantas coisas, a bagagem sobrecarregada até demais, mas me dá um nó ao mesmo tempo. Então eu fico, pois eu sei que no fim de tudo eu terei um lugar para fugir, e esse lugar vai ser a minha casa, a minha vida, o meu mundo, o único lugar no universo onde eu realmente faço a diferença. O lugar que eu possa mandar e desmandar, aonde eu possa dizer e fazer acontecer sem esperar que venha alguém para me corrigir. Onde eu deixo de ser mais uma e me torno a filha que regressa. A menina que cresceu e amadureceu. Onde eu me torno uma mulher de verdade.
Eu acordo todos os dias decidida e olho para frente, bem adiante, onde eu me vejo superando tudo isso. Porque eu sou forte, sou firme, sou jovem, ainda que crescida, mas tenho um mundo inteiro para desbravar e conquistar. Pois eu vencerei todas as guerras que forem necessárias, pra no fim poder respirar em paz. Porque essa luta é por mim e nela eu vou até o fim.

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